PROFESSOR CARLOS DELANO CONTRIBUINDO PARA A EDIFICAÇÃO HUMANA E PROFISSIONAL

PROFESSOR CARLOS DELANO CONTRIBUINDO PARA A EDIFICAÇÃO HUMANA E PROFISSIONAL
INVISTA NA SUA EDUCAÇÃO!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

MINHA ESCOLA MAIS PARECE UM CIRCO


Por Carlos Delano Rebouças

Quantas semelhanças existem entre a minha escola e um circo. Esta é a conclusão que tirei desde que iniciei a minha trajetória educacional na escola em que frequento, desde a minha infância. E lá se vão 15 anos de minha vida.

Quando comecei a estudar com os meus 03 anos de idade, tardio para os padrões modernos da educação brasileira, confesso que não recordo das tantas vezes que retornei a minha casa com o rosto pintado, mais parecendo um palhaço.  

Todas essas situações são contadas pela minha mãe, que na época acreditava se tratar de bobagens, todavia, bem distante de seu entendimento em aceitar que significava o desenvolvimento de habilidades, pedagógicas, que ainda são muito aplicadas.

Como a pintura no corpo, além de em outros recursos de expressão, dançávamos, brincávamos, ríamos muito um dos outros e aproveitávamos, também, todos os equipamentos existentes na escola, para o desenvolvimento mental e corporal. 

A minha escola era maravilhosa e muito parecia com um circo.
Hoje já estou com 18 anos, cursando o terceiro ano. Sou um pré-vestibulando, prestes a entrar na faculdade. Aquelas tantas brincadeiras já se perderam no passado, e hoje, as coisas são mais sérias, e não poderiam deixar de ser. Entretanto, a imagem do circo insiste em não me sair da cabeça, diante da também insistência dos gestores na sua continuidade.

Olho para a minha escola, enxergo um circo; entro na minha sala de aula e mais parece um picadeiro; meus colegas de sala, infelizmente, mais parecem animais que precisam ser adestrados, pela carência de educação e compromisso com a mesma; o meu professor, coitado, feito palhaço, não somente por nós, ou pelo menos pela nossa maioria, mas, muito mais, pela gestão pública deste país, que prefere brincar com a educação a levá-la a sério.

E ainda temos que fazer acrobacias para encontrar o nosso espaço na sociedade, diante de tanta concorrência.

Somos inevitavelmente os protagonistas deste espetáculo, que em nada redunda alegria, muito pelo contrário, uma tristeza profunda, e que permite estragar a maquiagem dos artistas circenses da vida, pela lágrima escorrida no rosto, numa irresponsabilidade sem tamanho, a qual começa no pré-escolar, e sem momento para terminar. É como se começasse dando o pirulito e terminasse em marmelada. Infelizmente.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Oi Tio!



Por Carlos Delano Rebouças

Chegando à escola, passo a passo nos largos corredores a caminho da sala dos Professores, não demora muito a ouvir “oi tio”, seguido de acenos. Cumprimentos recebidos de alunos, sem parentesco algum, mas que significa muito diante de tantas controvérsias.

A rotina do “tio” em sala de aula nem sempre é daquelas tão prazerosas. Bem da verdade, muitas vezes parece incontestavelmente desmotivadora. Não se trata de ministrar aulas, elaborar e corrigir testes e cumprir prazos. É muito mais que isso, quando aceitamos também a condição de educador, partícipe incondicional do processo educativo dos alunos ao lado da instituição escola, família e sociedade.

Um dia desses, numa conversa de rede social, indiretamente me senti um árbitro de um combate de opiniões entre dois colegas, que discutiam sobre ser Professor e ser Educador. Nessa discussão, que não levou a nada, somente a uma das partes se irritar e se desligar do grupo. Pobre colega, menos um “tio” a participar de um grupo que nasceu para incluir, mas que pela intransigência e intolerância, mostra o contrário.

Para o aluno o Professor é o “ tio” quase de verdade, que só falta correr nas veias o mesmo sangue. Por ele cria afinidade, carinho e nem sempre respeito. Alguma dúvida quanto a isso?

Desgastes insistem em insistir, e levam a relacionamentos difíceis nessa convivência diária de profissionalismo, com cara de família. Alunos e professores num espaço seus, diários, repletos de fatores propícios à boa educação e formação, e porque não, à fortalecimento de laços que nem sempre existem com parentes mais próximos. Tornam-se indiscutivelmente família.

Mas até que ponto esse sentimento fraterno e familiar interfere diretamente na formação humana e profissional, antes, educacional do aluno? Como essa existencial condição favorece ou não o profissional de educação? E quando essa relação não é tão amistosa e familiar, quais seus possíveis reflexos?

Sirvam-se de reflexão. No momento, depois de tantos “oi tio”, preciso atender ao meu ofício, pois mais uma aula começa e o tempo é ouro no processo educativo de meus alunos. “Que sabe faz a hora, não espera acontecer.”



terça-feira, 10 de maio de 2016

QUANDO POR “A” MAIS “B” NÃO PROVA NADA E DOIS MAIS DOIS NÃO SÃO CINCO



Por Carlos Delano Rebouças

O cantor Roberto Carlos é mesmo genial quando diz em sua canção “que tudo certo como dois e dois são cinco”. 

Parei para pensar no resultado dessa soma, mas preferi nem esticar o raciocínio sobre esse cálculo e a intenção do nobre cantor. Ufa! Seriam muitos neurônios queimados, quem sabe, desnecessariamente.

Certo dia, nas minhas andanças pela vida, ouvi de dois homens que conversavam como quem não conta segredos, e que me permitiram participar sem convite algum daquela conversa, outro questionamento, daqueles que me levaram a lembrar da velha canção do “Rei”. Nessa vez não envolvia números, e sim, letras.
Como se pode provar alguma coisa por “A” mais “B”? Mas o que a soma de letras pode provar? Qual é o resultado dessa soma, se a aritmética não assume essa responsabilidade? 

Essas foram as diversas indagações em cadeia que me causaram tanta perplexidade, apesar de sempre ouvi-la.  Não tive como poupar meus neurônios nessa vez. Busco respostas, quando a única que encontro é o reforço de uma afirmação.

A saudosa Banda de Forró, Magníficos, em um de seus álbuns, lançou uma canção cujo título é “Por A + B”, que muito sucesso fez nos anos 1990. Com a canção e o sucesso feito, por muito longe passou a reflexão sobre o resultado dessa operação matemática.

Hoje, diversos cenários permitem-nos a buscar provas e contraprovas, principalmente aqueles que conduzem rumos de uma nação. Ora afirmam com argumentos que acreditam fortes, inquestionáveis, absolutos, ora desfazem tudo que foi dito no dia anterior. Nem mesmo precisam recorrer à matemática que se perdeu no conhecimento e se um dia teve. De cara lavada fala, somente, e que se dane o bom senso.

Luiz Gonzaga, filho de Januário, o maior, em uma de suas canções ensinava uma divisão que somente ele levava vantagem. “Uma pra mim, uma pra tu, uma pra mim, outra pra mim; Uma pra mim, uma pra tu e outra pra mim”. 

Deu para entender? Acredito que sim. Essa é a divisão da esperteza, aquela que ilude e favorece somente um lado da moeda, como só existisse a cara e jamais a coroa. Que coincidência, faz lembrar quem “diz e desdiz” no Planalto Central! 

E o que importam somas, provas e divisões, se quem as faz e apresenta não tem intenção alguma de promovê-las de forma justa e sensata?  Que importa mesmo é ter a certeza de que continuaremos a ver o 5 como resultado da soma de 2 + 2; de que “A” + “B” continuará provando o que não consegue se provar; e de que Roberto Carlos continuará cantando a sua canção nas manhãs de domingo.

terça-feira, 3 de maio de 2016

POEMA DE AUGUSTO DOS ANJOS

Solitário

Como um fantasma que se refugia 
Na solidão da natureza morta, 
Por trás dos ermos túmulos, um dia, 
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele, 
- Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
Augusto dos Anjos

A HISTÓRIA DAS COISAS


BELA CANÇÃO!


ASSIM PENSA PESSOA


Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Fernando Pessoa

INTOLERÂNCIA


UM BELO CONTO DE FERNANDO SABINO

Dona Custódia


Fernando Sabino


Ar de empregada ela não tinha: era uma velha mirrada, muito bem arranjadinha, mangas compridas, cabelos em bandó num vago ar de camafeu – e usava mesmo um, fechando-lhe o vestido ao pescoço. Mas via-se que era humilde – atendera ao anúncio publicado no jornal porque satisfazia às especificações, conforme ela própria fez questão de dizer: sabia cozinhar, arrumar a casa e servir com eficiência a senhor só.
O “senhor só” fê-la entrar, meio ressabiado. Não era propriamente o que esperava, mas tanto melhor: a velhinha podia muito bem dar conta do recado, por que não? e além do mais impunha dentro de casa certo ar de discrição e respeito, propício ao seu trabalho de escritor. Chamava-se Custódia.
Dona Custódia foi logo botando ordem na casa: varreu a sala, arrumou o quarto, limpou a cozinha, preparou o jantar. Deslizava como uma sombra para lá, para cá – em pouco sobejavam provas de sua eficiência doméstica. Ao fim de alguns ele se acostumou à sua silenciosa iniciativa (fazia de vez em quando uns quitutes) e se deu por satisfeito: chegou mesmo a pensar em aumentar-lhe o ordenado, sob a feliz impressão de que se tratava de uma empregada de categoria.
De tanta categoria que no dia do aniversário do pai, em que almoçaria fora, ele aproveitou-se para dispensar também o jantar, só para lhe proporcionar o dia inteiro de folga. Dona Custódia ficou muito satisfeitinha, disse que assim sendo iria também passar o dia com uns parentes lá no Rio Comprido.
Mas às quatro horas da tarde ele precisou de dar um pulo ao apartamento para apanhar qualquer coisa que não vem à história. A história se restringe à impressão estranha que teve, então, ao abrir a porta e entrar na sala: julgou mesmo ter errado de andar e invadido a casa alheia. Porque aconteceu que deu os móveis da sala dispostos de maneira diferente, tudo muito arranjadinho e limpo, mas cheio de enfeites mimosos: paninho de renda no consolo, toalha bordada na mesa, dois bibelôs sobre a cristaleira – e em lugar da gravura impressionista na parede, que se via? Um velho de bigodes o espiava para além do tempo, dentro da moldura oval. Nem pôde examinar direito tudo isso, porque, espalhadas pela sala, muito formalizadas e de chapéu, oito ou dez senhoras tomavam chá! Só então reconheceu entre elas D. Custódia que antes proseava muito à vontade mas ao vê-lo se calou, estatelada. Estupefato, ele ficou parado sem saber o que fazer e já ia dando o fora quando sua empregada se recompôs do susto e acorreu, pressurosa:
– Entre, não faça cerimônia! – puxou-o pelo braço, voltando-se para as demais velhinhas: – Este é o moço que eu falava, a quem alugo um quarto.
Foi apresentado a uma por uma: viúva do Desembargador Fulano de Tal; senhora Assim-Assim; senhora Assim-Assado; viúva de Beltrano, aquele escritor da Academia! Depois de estender a mão a todas elas, sentou-se na ponta de uma cadeira, sem saber o que dizer. Dona custódia veio em sua salvação:
– Aceita um chazinho?
– Não, muito obrigado. Eu...
– Deixa de cerimônia. Olha aqui, experimenta uma brevidade, que o senhor gosta tanto. Eu mesma fiz.
Que ela mesma fizera ele sabia – não haveria também de pretender que ele é que cozinhava. Que diabo ela fizera de seu quadro? E os livros, seus cachimbos, o nu de Modigliani junto à porta substituído por uma aquarelinha...
– A senhora vai me dar licença, Dona Custódia.
Foi ao quarto – tudo sobre a cama, nas cadeiras, na cômoda. Apanhou o tal objeto que buscava e voltou à sala:
– Muito prazer, muito prazer – despediu-se, balançando a cabeça e caminhando de costas como um chinês. Ganhou a porta e saiu.
Quando regressou, tarde da noite, encontrou como por encanto o apartamento restituído à arrumação original, que o fazia seu. O velho bigodudo desaparecera, o paninho de renda, tudo – e os objetos familiares haviam retornado ao seu lugar.
– A senhora...
Dona Custódia o aguardava, ereta como uma estátua, plantada no meio da sala. Ao vê-lo, abriu os braços dramaticamente, falou apenas:
–Eu sou a pobreza envergonhada!
Não precisou dizer mais nada: ao olhá-la, ele reconheceu logo que era ela: a própria Pobreza Envergonhada. E a tal certeza nem seria preciso acrescentar-se as explicações, a aflição, as lágrimas com que a pobre se desculpava, envergonhadíssima: perdera o marido, passava necessidade, não tinha outro remédio – escondida das amigas se fizera empregada doméstica! E aquela tinha sido a oportunidade de reaparecer para elas, justificar o sumiço... Ele balançava a cabeça, concordando: não se afligisse, estava tudo bem. Concordava mesmo que de vez em quando, ele não estando em casa, evidentemente, voltasse a recebê-las como na véspera para um chazinho.
O que passou a acontecer dali por diante, sem mais incidentes. E às vezes se acaso regressava mais cedo, detinha-se na sala para bater um papo com as velhinhas, a quem já se ia afeiçoando.
Não tão velhinhas que um dia não surgisse uma viúva bem mais conservada, a quem acabou também se afeiçoando, mas de maneira especial. Até que Dona Custódia soube, descobriu tudo, ficou escandalizada! Não admitia que uma amiga fizesse aquilo com seu hóspede. E despediu-se, foi-se embora para nunca mais.

FICA A DICA


EXCELENTE DOCUMENTÁRIO


BRINCADO DE FAZER EDUCAÇÃO


Por Carlos Delano Rebouças

Às vezes vejo que a forma como se brincam com a educação do Brasil, sem valorizá-la como deveria, torna-se uma via de mão dupla, em seus resultados.

Atualmente, com o número crescente de escolas de formação superior, privadas, aumenta as possibilidades de ingresso no ensino superior. Isso é muito bom, sem dúvidas alguma.

Porém, seus critérios de acesso, em geral, onde não valorizam muito os conhecimentos adquiridos no ensino básico, permite que candidatos não tão preparados tenham acesso, e chegando aos bancos das faculdades, encontram dificuldades de aprendizagem, e quando não, dá-se por conta da fragilidade do ensino praticado, onde muitas delas demonstram uma total despreocupação com a formação, prevalecendo muito mais a capacidade de horar com o pagamento de matrículas e mensalidades.

Essa postura, das escolas formadoras, muitas vezes resulta numa desvalorização do profissional de educação, que acaba exercendo seu ofício sem muito zelo, empurrando com a barriga, diante também de uma remuneração não compatível. Ou seja, brincam de estudar e de formar, que eu brinco de dar aula.

Detalhe: Muitos dos profissionais de educação que atuam como professores universitários apresentam um excelente currículo, com mestrados e doutorados, e até pós-doutorados, mas, enfim, parecem entender que tudo funciona sem o compromisso devido. Não podem tirar leite de pedra.

Assim, sabendo de tudo isso, muito jovens estudantes abdicam de um esforço maior em busca de conhecimentos no ensino básico, por saber que tendo condições de pagar uma faculdade ou conseguindo algum tipo de crédito educativo, terá acesso ao ensino superior e ao tão necessitado diploma.

Pena que no Brasil a educação é vista desta forma e que o espaço no mercado, em muitos casos, é preenchido não por competentes, mas sim, por bem influentes, que contam com boas indicações.